O médico radiologista e ex-secretário de Saúde, Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, observa, na prática clínica diária, que boa parte das mulheres que evitam ou postergam a mamografia o fazem por razões baseadas em informações incorretas. O medo do desconforto, a crença de que a radiação faz mal e a ideia de que o exame só é necessário quando há sintomas são alguns dos equívocos mais recorrentes. Neste artigo, os principais mitos sobre a mamografia são desmontados com base em evidências, oferecendo às pacientes uma visão clara, honesta e orientada para a prevenção.
A mamografia causa câncer por exposição à radiação?
Esse é, provavelmente, o mito mais disseminado entre as mulheres que resistem ao rastreamento. A dose de radiação utilizada na mamografia é extremamente baixa e considerada segura pelas principais autoridades de saúde do mundo. Para se ter uma ideia comparativa, a exposição é equivalente à radiação natural que uma pessoa recebe em algumas horas de voo comercial.
O risco associado à radiação do exame é desprezível quando comparado ao benefício da detecção precoce do câncer de mama. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues reforça que a ciência não identificou nenhuma relação causal entre a realização anual da mamografia e o desenvolvimento de tumores. Deixar de fazer o exame por esse receio representa um risco real muito maior do que a exposição em si.
A mamografia dói muito e pode causar danos às mamas?
O desconforto durante o exame é real e não deve ser minimizado, mas está longe de ser insuportável para a grande maioria das pacientes. A compressão das mamas é necessária para garantir a nitidez das imagens e dura apenas alguns segundos. Realizar o exame fora do período pré-menstrual, quando as mamas tendem a ser mais sensíveis, já contribui para reduzir significativamente a sensação de pressão.
Quanto ao risco de danos físicos causados pela compressão, não há evidência científica que sustente essa preocupação. A pressão aplicada é controlada e padronizada, projetada para obter imagens de qualidade sem comprometer a integridade do tecido mamário. O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues esclarece que o desconforto passageiro do exame é incomparavelmente menor do que as consequências de um diagnóstico tardio.

Só é necessário fazer mamografia se houver nódulo ou sintoma?
Essa crença é um dos equívocos mais perigosos no contexto da saúde preventiva feminina. O rastreamento mamográfico existe justamente para detectar alterações antes que qualquer sintoma apareça. Tumores identificados nessa fase inicial respondem muito melhor ao tratamento e apresentam taxas de cura superiores a 90%.
Esperar por um sinal clínico para buscar o exame significa, em muitos casos, chegar ao diagnóstico em um estágio mais avançado da doença. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues é categórico: a ausência de sintomas não é indicativo de saúde mamária garantida. O silêncio clínico é exatamente o cenário em que o rastreamento regular tem maior valor.
Mulheres jovens não precisam se preocupar com a mamografia?
A recomendação de iniciar o rastreamento aos 40 anos não significa que mulheres mais jovens estão automaticamente fora de risco. Aquelas com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, portadoras de mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, ou com diagnóstico anterior de lesões precursoras podem precisar iniciar o acompanhamento a partir dos 30 anos.
Além disso, o câncer de mama em mulheres jovens, embora menos frequente, tende a ser mais agressivo e de progressão mais rápida. Por isso, toda mulher deve consultar um especialista para avaliar seu perfil de risco individual e determinar o momento mais adequado para iniciar o rastreamento mamográfico.
O exame anual é realmente necessário ou é exagero?
A periodicidade anual não é uma convenção arbitrária. O intervalo de 12 meses é cientificamente fundamentado na velocidade de crescimento dos tumores mamários mais comuns, garantindo que alterações relevantes sejam detectadas antes de progredirem para estágios mais avançados.
Cada mamografia não deve ser encarada de forma isolada. A comparação entre exames consecutivos é o que permite ao radiologista identificar mudanças sutis ao longo do tempo. O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues conclui que a regularidade não é excesso de cautela: é o fundamento técnico sobre o qual o rastreamento eficaz se sustenta.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez