Nunca foi tão fácil acelerar processos dentro das empresas. Segundo Gilmar Stelo, as ferramentas de inteligência artificial elaboram documentos em poucos segundos, plataformas digitais automatizam fluxos de trabalho e sistemas inteligentes analisam milhares de informações em tempo real. Ao mesmo tempo, a pressão por respostas rápidas se tornou uma característica permanente do ambiente corporativo. Diante dessa transformação, o Doutor Gilmar Stelo, referência em atuação estratégica no Direito, acompanha uma discussão que começa a ganhar espaço entre empresários, gestores e especialistas: será que a busca por produtividade está criando riscos que muitas organizações ainda não conseguem enxergar?
Essa reflexão surge em um momento em que eficiência deixou de significar apenas produzir mais. Hoje, empresas também são cobradas por transparência, governança, conformidade e capacidade de responder rapidamente às mudanças do mercado. O desafio é que essas exigências caminham em direções aparentemente opostas: enquanto a competitividade incentiva decisões cada vez mais rápidas, a segurança jurídica exige análise, documentação e planejamento. Conciliar esses dois movimentos tornou-se um dos maiores desafios da gestão contemporânea.
Quando produtividade passou a significar velocidade?
Durante décadas, produtividade estava associada à capacidade de produzir mais utilizando menos recursos. A transformação digital alterou completamente essa lógica. Atualmente, a velocidade passou a ocupar posição central dentro das organizações. Processos que antes levavam dias passaram a ser concluídos em poucas horas, contratos circulam digitalmente, reuniões acontecem em plataformas virtuais e decisões são tomadas quase em tempo real. Em muitos setores, responder rapidamente tornou-se um fator de sobrevivência.
Essa mudança foi impulsionada não apenas pela tecnologia, mas também pela competitividade do mercado. Empresas perceberam que consumidores esperam respostas imediatas, investidores acompanham resultados continuamente e novos concorrentes surgem com estruturas mais enxutas e modelos de negócios altamente digitais. Ao analisar esse cenário, o Doutor Gilmar Stelo observa que a velocidade trouxe ganhos inegáveis para a gestão, mas também reduziu o espaço destinado à reflexão e à análise criteriosa de determinadas decisões.
O que pode acontecer quando a agilidade supera a análise?
Em muitos casos, os riscos não surgem porque a empresa decidiu inovar, mas porque determinados mecanismos de controle deixaram de acompanhar a velocidade das mudanças. Contratos aprovados sem revisão adequada, políticas internas desatualizadas, decisões tomadas exclusivamente com base em sistemas automatizados e fluxos simplificados em excesso podem criar vulnerabilidades que permanecem invisíveis até que um conflito ou uma fiscalização revele sua existência.
Esse fenômeno é conhecido em diversos setores como “risco silencioso”. São situações que não provocam impactos imediatos, mas acumulam fragilidades ao longo do tempo. Quando finalmente aparecem, costumam gerar consequências financeiras, operacionais e reputacionais muito superiores ao custo que teria sido necessário para preveni-las. Sob essa perspectiva, conforme destaca Doutor Gilmar Stelo, produtividade não deve ser medida apenas pela rapidez dos processos, mas também pela capacidade da organização de preservar qualidade, segurança e previsibilidade enquanto acelera suas operações.

Por que empresas mais eficientes voltaram a investir em controles internos?
Curiosamente, algumas das empresas que mais investiram em automação começaram, nos últimos anos, a reforçar áreas relacionadas à governança, compliance e gestão de riscos. À primeira vista, esse movimento pode parecer contraditório. Entretanto, ele reflete uma percepção que ganhou força no ambiente corporativo: acelerar processos não elimina a necessidade de supervisioná-los. Pelo contrário, quanto maior o nível de automação, maior tende a ser a importância de mecanismos capazes de validar informações, documentar decisões e acompanhar o funcionamento dos sistemas.
Esse reposicionamento demonstra que eficiência e controle não são conceitos incompatíveis. Organizações mais maduras passaram a compreender que bons processos não são aqueles que simplesmente eliminam etapas, mas aqueles que conseguem diferenciar burocracia desnecessária de controles realmente importantes. Tal como elucida Doutor Gilmar Stelo, essa mudança representa uma evolução na forma de administrar riscos, substituindo modelos excessivamente reativos por estruturas que buscam equilibrar agilidade, responsabilidade e planejamento estratégico.
O futuro da produtividade dependerá da qualidade das decisões?
A inteligência artificial, a automação e a análise de dados continuarão transformando profundamente a gestão empresarial. No entanto, especialistas já observam uma mudança importante na discussão sobre produtividade. O foco começa a deixar de ser apenas a velocidade para incluir a qualidade das decisões produzidas nesse ambiente altamente automatizado. Empresas passam a perceber que decisões rápidas nem sempre são as melhores quando não estão acompanhadas por critérios claros de governança e supervisão.
Essa tendência indica que o diferencial competitivo dos próximos anos poderá estar menos relacionado à capacidade de acelerar processos e mais à habilidade de equilibrar inovação com responsabilidade. Em linha com o entendimento do Doutor Gilmar Stelo, organizações que conseguem integrar tecnologia, planejamento jurídico e gestão de riscos tendem a desenvolver operações mais resilientes, preparadas não apenas para crescer, mas para sustentar esse crescimento em um ambiente de negócios cada vez mais complexo.
O desafio já não é produzir mais, mas produzir com inteligência
A corrida pela produtividade dificilmente perderá força nos próximos anos. A transformação digital continuará reduzindo prazos, automatizando tarefas e ampliando a capacidade das empresas de responder rapidamente às demandas do mercado. Ainda assim, essa evolução traz uma reflexão importante: velocidade, por si só, não garante decisões melhores nem reduz automaticamente a exposição a riscos.
À medida que organizações buscam combinar eficiência operacional com segurança jurídica, cresce a compreensão de que produtividade sustentável depende de processos bem estruturados, decisões fundamentadas e mecanismos capazes de acompanhar a mesma velocidade com que o mercado continua evoluindo.