Um projeto-piloto de semáforos inteligentes aumentou em até 30% a velocidade média dos ônibus em um corredor viário do bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Os resultados foram apresentados pela Prefeitura de Belo Horizonte à Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal em 22 de outubro de 2026.
A tecnologia foi instalada em maio deste ano em nove cruzamentos das ruas Niquelina e Domingos Vieira, em um trecho de aproximadamente 2,6 quilômetros. Segundo a Câmara Municipal de Belo Horizonte, a medida reduziu em cerca de três minutos o deslocamento dos coletivos durante o pico da manhã.
Como funciona o sistema de prioridade
O sistema combina câmeras inteligentes e algoritmos de visão computacional para identificar a aproximação dos ônibus. A partir dessas informações, os semáforos podem antecipar a abertura do sinal ou ampliar o período de luz verde, criando condições mais favoráveis para a passagem do transporte coletivo nos cruzamentos.
Antes da implantação, os ônibus levavam pouco mais de 13 minutos para percorrer o corredor, com velocidade média de 9,8 km/h. Com a operação dos semáforos conectados, o tempo de viagem caiu durante o horário de maior movimento. A Prefeitura informou que, em determinados momentos, a velocidade média dos veículos chegou a ficar até 30% maior.
Na prática, a proposta é reduzir o tempo em que os coletivos permanecem parados ou avançam lentamente diante dos sinais. Em vez de operar com ciclos semafóricos totalmente fixos, o sistema considera a presença dos ônibus e ajusta o funcionamento dos cruzamentos para favorecer a continuidade da viagem.
Impacto para passageiros e para a operação
A redução do tempo de percurso pode melhorar a experiência de quem utiliza as linhas que circulam pelo trecho de Santa Efigênia. Viagens mais rápidas significam menos tempo gasto no deslocamento cotidiano, especialmente para passageiros que dependem do ônibus nos horários de entrada e saída do trabalho ou de outros compromissos.
O efeito também pode alcançar a regularidade da operação. Quando os ônibus enfrentam menos retenções nos cruzamentos, há possibilidade de diminuir atrasos acumulados ao longo do trajeto. No entanto, os dados apresentados até agora se referem ao corredor do projeto-piloto e não permitem concluir que o mesmo resultado já ocorra em toda a rede de transporte coletivo de Belo Horizonte.
Outro aspecto é que a solução utiliza a estrutura viária existente. A prioridade semafórica não depende, neste primeiro momento, da abertura de um novo corredor ou da realização de grandes obras. Isso torna a gestão inteligente dos sinais uma alternativa para trechos em que intervenções físicas são mais demoradas, caras ou difíceis de executar.
Projeto envolve órgãos municipais e pode ser ampliado
A iniciativa reúne a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, a BHTrans e a Prodabel, empresa responsável por soluções de tecnologia da informação e comunicação do município. A integração entre gestão do trânsito, transporte coletivo, câmeras e processamento de dados é central para que a prioridade seja aplicada de forma dinâmica.
O funcionamento do sistema depende da identificação correta dos ônibus e da resposta coordenada dos sinais. Por isso, a avaliação do projeto precisa considerar não apenas a velocidade média, mas também o tempo total de viagem, a regularidade das linhas e o comportamento do trânsito no entorno dos cruzamentos monitorados.
Durante a apresentação à Câmara Municipal, a Prefeitura também indicou que pretende avaliar a expansão da tecnologia para outras áreas de Belo Horizonte. A ampliação, contudo, depende da análise dos resultados obtidos no trecho inicial e da definição dos locais em que a prioridade semafórica pode gerar maior benefício para o transporte coletivo.
Tecnologia não substitui planejamento da mobilidade
Os semáforos inteligentes podem ajudar a eliminar parte das perdas de tempo causadas pelos cruzamentos, mas não resolvem sozinhos todos os problemas enfrentados pelos ônibus. Congestionamentos, condições das vias, quantidade de passageiros, paradas ao longo do trajeto e organização das linhas também influenciam o desempenho do sistema.
Por esse motivo, o projeto de Belo Horizonte representa uma aplicação específica de tecnologia para melhorar a circulação em um ponto crítico da rede. Os resultados do corredor de Santa Efigênia servirão como referência para discutir se a mesma estratégia pode ser adaptada a outras regiões da capital mineira.
Além da publicação da Câmara Municipal, a reportagem consultou a Sala de Imprensa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a verificação do contexto recente do transporte de passageiros. A experiência apresentada em Belo Horizonte mostra como o uso de dados em tempo real pode complementar as políticas tradicionais de mobilidade e dar prioridade operacional aos ônibus onde os atrasos são mais concentrados.