A Prefeitura de Curitiba e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram a empresas do setor os principais elementos da nova concessão do transporte coletivo da capital paranaense. O roadshow ocorreu em 24 de setembro de 2026 e reuniu mais de cem participantes ligados à operação de transporte público e à eletromobilidade.
O projeto prevê mudanças na organização do sistema de ônibus, com aquisição de veículos elétricos, construção de elet postos, ampliação da integração entre linhas e adoção de indicadores de qualidade. A proposta está vinculada ao edital publicado pela Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) em 19 de agosto de 2026.
De acordo com a Urbs, a licitação foi estruturada em cinco lotes. O futuro contrato deverá contemplar a exploração, a operação e a manutenção do transporte coletivo de passageiros por ônibus em Curitiba, estabelecendo novas regras para a próxima fase do serviço.
Como será organizada a nova concessão
A divisão em cinco lotes é uma das características centrais do modelo apresentado. A estrutura organiza a licitação por áreas de operação e cria uma referência para a participação das empresas interessadas no serviço de transporte coletivo da cidade. As propostas deverão ser entregues em 17 de novembro de 2026, na sede da B3, em São Paulo.
O leilão está previsto para 26 de novembro de 2026. Até essas etapas, o processo ainda depende do cumprimento do cronograma oficial e da análise das propostas apresentadas. Por isso, as mudanças anunciadas representam diretrizes e compromissos previstos no modelo de concessão, e não alterações já implantadas na rotina dos passageiros.
Além da operação dos ônibus, o edital trata da manutenção do sistema e de parâmetros para acompanhar a qualidade do serviço. A adoção de novos indicadores pode permitir uma avaliação mais estruturada do cumprimento das obrigações contratuais, embora os efeitos concretos dependam da execução do contrato e do acompanhamento feito pelos órgãos responsáveis.
Eletrificação exige veículos e infraestrutura
A transição para uma frota elétrica aparece como um dos eixos do projeto. A proposta prevê a aquisição de ônibus elétricos e a construção de elet postos, estruturas necessárias para recarregar e manter os veículos em operação. Dessa forma, a eletrificação não se limita à substituição dos ônibus, mas envolve uma rede de apoio integrada ao funcionamento do transporte coletivo.
Para viabilizar essa frente, o projeto considera uma subvenção municipal estimada em R$ 893,6 milhões. Segundo as informações divulgadas pela Urbs, os recursos serão destinados principalmente à compra dos veículos elétricos e à implantação dos elet postos. O valor indica a dimensão financeira da transição energética prevista para a concessão.
A implantação de uma frota elétrica também envolve desafios operacionais, como planejamento da recarga, renovação dos veículos e adaptação da infraestrutura. Esses aspectos precisam ser compatibilizados com a continuidade do atendimento aos passageiros e com o equilíbrio econômico do contrato. A nova concessão busca reunir essas necessidades em um mesmo desenho contratual.
Integração e qualidade para os passageiros
Outra mudança prevista é a ampliação da integração entre linhas. Na prática, o objetivo anunciado é fortalecer a articulação do sistema para que diferentes serviços possam funcionar de maneira mais conectada. A forma como essa integração será aplicada dependerá das regras da concessão, do planejamento operacional e da execução das empresas vencedoras.
Para quem utiliza os ônibus em Curitiba, os pontos de maior interesse estão relacionados à qualidade, à regularidade da operação e à possibilidade de uma rede mais integrada. No entanto, a apresentação do projeto não significa que essas melhorias já estejam disponíveis. Elas deverão ser implementadas conforme o cronograma, as obrigações do contrato e os investimentos previstos.
O modelo também coloca a fiscalização e o acompanhamento de metas no centro da discussão. Indicadores de qualidade podem servir para medir o desempenho do serviço e verificar se as exigências estabelecidas no edital estão sendo atendidas. A efetividade dessa avaliação dependerá da transparência das informações e da capacidade de monitorar os resultados ao longo da concessão.
Próximos passos do processo
O edital da nova concessão foi publicado pela Urbs em agosto, e o roadshow realizado em setembro teve o objetivo de apresentar o projeto a potenciais participantes. A próxima data indicada no cronograma é 17 de novembro, quando deverão ser entregues as propostas na B3. O leilão, por sua vez, está programado para 26 de novembro de 2026.
Até a conclusão dessas etapas, ainda não há definição sobre quais empresas assumirão os lotes ou sobre o momento exato em que cada mudança chegará ao sistema. O que já está estabelecido é a intenção de combinar renovação contratual, eletrificação da frota, integração ampliada e novos critérios de qualidade no transporte coletivo de Curitiba.
Por envolver concessão de serviço público, planejamento urbano e decisões administrativas com impacto direto na mobilidade, o tema também acompanha debates presentes em outras cidades brasileiras. No caso de Curitiba, a proposta agora avança para a fase de disputa entre empresas, com a Urbs responsável pela condução do processo e o cronograma oficial como referência para os próximos passos.